“Era uma vez uma mulher com muita vontade de realizar grandes coisas e que constantemente era tomada por uma forte ansiedade que a travava e trazia sensação de derrota.”
Esse enredo é muito comum no atendimento terapêutico. A ansiedade é uma companhia indesejada que queremos eliminar logo para podermos destravar as nossas vidas. Não acredito numa fórmula para acabar com a ansiedade, mas acredito em olhar para a origem dela, para um ponto encoberto na nossa história que merece atenção.
E quando falamos de origem, logo pensamos na figura da nossa mãe, nosso portal para a entrada nesse mundo. Na prática com a Constelações Familiares, frequentemente observamos que a ansiedade tem muito a ver com a relação com nossa mãe. Não é uma regra, mas é uma possibilidade bem provável, na maioria das vezes.
Hoje vamos falar de um caso bem específico que pode gerar um estado ansioso: ter crescido vendo que a atenção da sua mãe estava voltada para um outro lugar, te deixando com a sensação de não ser vista por ela. Eu não digo para olhar para isso com o pensamento adulto, mas a partir da sensibilidade da sua criança interior. Essa criança guarda as memórias dos olhares ausentes da mãe, das críticas, das vezes que você se sentiu sozinha porque sua mãe estava ansiosa ou triste demais para realmente estar com você. Talvez agora adulta você até tente compreender e deixar isso para trás. Mas sua ansiedade pode estar ouvindo essa sua criança e te travando justamente para você lidar com essa memória.
Quando vamos resignificar questões de infância, frequentemente nos sentimos culpadas, como se estivéssemos buscando culpar nossos pais. Afinal, éramos apenas crianças.
Não vamos culpar sua mãe, pelo contrário. Olhar para a verdade, como é ou foi, liberta. Ao invés de buscar culpar alguém, eu te convido a se perguntar: Para onde estava direcionada a atenção da sua mãe? Para onde o coração dela olhava? Qual a dor que a impedia de viver plenamente e de te dar todo o acolhimento que você precisava?
Meu primeiro palpite é perguntar sobre a mulher mais importante na vida da sua mãe: a mãe dela. Sua avó materna. Como era ou é a relação delas? As histórias vividas com a sua avó impactaram a vida da sua mãe e, talvez, ainda afetem a relação de vocês duas.
Se uma mulher passou pela infância vendo a mãe sofrendo no casamento, sendo traída ou abandonada, dificilmente ela não vai transmitir a sua filha as marcas que ficaram na sua alma em relação ao casamento dos pais.
Se sua avó morreu cedo, sua mãe cresceu com a dor da perda e nem sempre teve suporte para lidar com essa dor. Talvez então ela tenha te transmitido insegurança, a sensação de que as coisas podem dar errado a qualquer momento.
Se sua mãe não tinha proximidade emocional com a mãe dela, se não tinha um colo, um carinho, um elogio, vai ser mais difícil o movimento dela em te dar o que nem ela mesma recebeu.
E aqui entramos num ponto mais delicado. Se você percebe o que faltou para sua mãe, você pode querer ajudá-la, tentando saciar a carência que ela sente, mesmo que inconscientemente. Você pode fazer isso passando muito tempo com ela, satisfazendo os desejos dela com relação a sua vida, escolhendo pra você a vida que ela esperava. Isso pode ser bem sutil. Às vezes nos sabotamos num relacionamento pra não precisar dividir a atenção que damos a nossa mãe. Às vezes não prosperamos na carreira para continuar próximas a ela. Observe em você se algum mecanismo seu pode estar te levando a cuidar da sua mãe como uma mãe cuidaria. E esse é o ponto: quando você ajuda demais, você se coloca no lugar da mãe dela. E ela tem uma mãe, e que é a sua avó por sinal.
“E o que eu faço agora?”
Se você se identificou, te convido a aprofundar mais e ir compreendendo essas dinâmicas familiares que abalam a sua conexão com a Essência Materna. É um trabalho contínuo, que pode ser feito com várias ferramentas, como a terapia.
Clique aqui e acesse uma meditação guiada para alinhar a relação filha-mãe-avó que eu preparei. Você pode começar por ali. Aceite a força que a sua mãe tem pra lidar com a própria história dela. Aceite a sua força de seguir na vida, mesmo que sua mãe ainda precise lidar com muita coisa no caminho dela.
Não é um trabalho simples, mas te garanto que vale pela tranquilidade que você vai começar a sentir, onde antes só havia ansiedade.
Gratidão pela leitura!
Um beijo,
Lu